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Compliance

Revisão aduaneira: como se preparar antes da fiscalização

O desembaraço não encerra a operação. O que a Receita pode revisar depois, por quanto tempo, e como montar um dossiê que responde rápido.

· 5 min de leitura

Muitas empresas tratam o desembaraço como o fim da importação. Do ponto de vista fiscal, ele não é. A revisão aduaneira permite à Receita Federal reexaminar, depois da liberação da carga, a regularidade dos tributos pagos, a aplicação de benefícios e a exatidão das informações declaradas.

Essa revisão pode ocorrer enquanto não decair o direito de constituir o crédito tributário, em regra cinco anos. Isso significa que uma operação de hoje pode ser questionada anos depois, quando quem a conduziu talvez nem esteja mais na empresa.

O que costuma ser revisado

Tema Pergunta da fiscalização
Classificação fiscal A NCM declarada é a correta?
Valor aduaneiro Frete, seguro, royalties e outros custos foram incluídos?
Vinculação O preço entre partes relacionadas é de mercado?
Origem A preferência tarifária usada tem certificado válido?
Benefícios O Ex-tarifário ou o Drawback foram usados nas condições previstas?
Tratamento administrativo As anuências exigidas foram obtidas a tempo?

O dossiê da operação

A melhor defesa em uma revisão é conseguir responder rápido e com documentos. Para cada importação, o dossiê deveria reunir:

  • fatura comercial, packing list e conhecimento de embarque;
  • contrato ou pedido de compra e comprovantes de pagamento ao exterior;
  • comprovantes de frete e seguro internacionais;
  • memória de cálculo do valor aduaneiro;
  • catálogos, fichas técnicas e laudos que sustentam a classificação;
  • LPCO e demais anuências;
  • certificados de origem, quando houver preferência tarifária;
  • documentos do regime especial utilizado.

O ideal é que esse material fique organizado por operação e acessível digitalmente, com responsável definido.

Revisão preventiva

Uma revisão interna periódica, feita por amostragem, permite identificar erros antes da fiscalização. Os pontos mais produtivos para começar:

  1. Itens de maior valor importado, onde uma diferença de alíquota pesa mais.
  2. Classificações antigas que nunca foram revistas.
  3. Operações com partes relacionadas e pagamentos adicionais ao fornecedor.
  4. Benefícios fiscais, conferindo se as condições continuam atendidas.

Quando um erro é identificado, vale avaliar caso a caso a regularização antes de qualquer procedimento fiscal, o que pode reduzir penalidades.

Por que isso importa mais agora

Com a DUIMP e o uso de dados estruturados, a Receita passa a ter mais capacidade de cruzar informações entre declarações, importadores e produtos. Divergências que antes passavam despercebidas tendem a aparecer de forma automatizada.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto.

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